Abaixo-Assinado contra o Projeto de Lei da terceirização

O Projeto de Lei (PL) 4.330/2004, em tramitação na Câmara dos Deputados, permite a prática da terceirização de serviços em todas as atividades das empresas, sem as limitações atualmente existentes, o que representa um atentado à dignidade do trabalhador brasileiro. O SINSP/RN é contra a terceirização sem limites. O trabalhador não pode ser descartável!

 O PL pretende acabar com os limites à terceirização, que só é admitida na atividade-meio das empresas e desde que inexistente a subordinação e a pessoalidade, incitando sua prática de forma indiscriminada. Para o SINSP/RN, caso o projeto venha a ser aprovado da maneira como está, representará, na prática, MAIS acidentes de trabalho, MAIS rotatividade no mercado, MAIS precarização, MENOS direitos, MENOS salário e MENOS respeito aos trabalhadores.

 A terceirização precariza as condições de trabalho, fragiliza o vínculo trabalhista, dispersa a organização dos trabalhadores e baixa profundamente os níveis de efetividade dos seus direitos, seja no setor público ou privado.

 No setor público, a utilização desenfreada da terceirização tem sido manejada para substituir a realização de concursos públicos e, portanto, impedindo, na prática, o acesso a cargos públicos por meio de critérios objetivos e isonômicos. Além disso, os contratos de empresas prestadoras de serviços terceirizados, não raras vezes, tem origem em licitações fraudulentas e servem de via para irrigar recursos de toda uma rede de corrupção, como se tem verificado nos casos surgidos diuturnamente.

 A imposição de limites à terceirização é exigência constitucional, para compatibilizar os ditames da livre iniciativa com a afirmação dos direitos fundamentais dos trabalhadores. No setor público, esta limitação é necessária para preservar a organização funcional impessoal da Administração Pública.

 A aprovação do PL 4.330/2004 tornará a terceirização desmedida e sem responsabilidade social. Esvaziará a eficácia dos direitos dos trabalhadores e constituirá, assim, a mais rigorosa reforma flexibilizadora de direitos trabalhistas após à Constituição de 1988.

Além disso, sabe-se que em vários casos de corrupção, a terceirização de serviços é o mecanismo utilizado para os gestores desonestos obterem recursos ilícitos (superfaturamento de contratos) e vantagens eleitorais, mediante oferta de emprego aos empregados “terceirizados” que votarem em determinados políticos.

Por isso, o movimento da Classe Trabalhadora solicita aos Parlamentares em geral e ao Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que retirem de pauta de votação o PL 4330/2004, para maior discussão do seu conteúdo pela sociedade civil e para que possa ficar expresso, no texto da lei, que não haverá terceirização de atividade-fim, já que tal possibilidade implica em claro risco de ferimento da regra constitucional de acesso a cargos, empregos e funções públicas mediante concurso público.

Destaca-se que esse projeto tem sido apresentado à sociedade, mormente em vários artigos publicados em jornais e revistas de grande circulação, como um projeto de modernização das relações privadas, e, no entanto, essa não é a verdade integral, já que o projeto amplia a possibilidade de a Administração Pública contratar serviços terceirizados, inclusive, para a sua atividade-fim, e deixar de realizar concurso público.

Sem quadros próprios de servidores admitidos mediante concurso público, o Estado torna-se refém, em áreas essenciais como saúde, educação e segurança pública, e não terá alternativa, para prestar esses serviços, senão aceitar os preços propostos pelas contratadas, o que pode implicar na formação de cartéis. 

Além disso, ao terceirizar serviços relacionados à sua atividade finalística, a administração pública permitirá que empregados de várias empresas prestadoras de serviços terceirizados tenham acesso a áreas e documentos sensíveis da administração pública, fato que deve ser avaliado com mais profundidade.

Assim, Os trabalhadores requerem o adiamento da votação da PL 4330/2004, para que não seja votado antes do chamado pacote anticorrupção, e, em caso de sua votação, que seja ressalvado que não cabe terceirização em atividade-fim.

 ABAIXO-ASSINADO

 Diga NÃO à terceirização sem limite! Está disponível aqui o abaixo-assinado contra o PL. Junte-se a este movimento pela garantia de direitos e avanços nas conquistas.

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