Centrais sindicais na luta por regra de correção das aposentadorias
Alegria de pobre dura pouco. Em menos de um mês, 9 milhões
de aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo dormiram
remediados e acordaram mais pobres no dia 29/07, com o veto da presidente Dilma
Rousseff às regras iguais de reajuste ao mínimo. Este ano, os beneficiários do
INSS que ganham o piso tiveram 8,84% de aumento e os que recebem acima do
mínimo ficaram com 6,23%. A partir de segunda-feira, dia 03/08, as centrais
sindicais arregaçam as mangas e preparam uma mobilização no Congresso Nacional
para derrubar o veto presidencial. A estratégia é garimpar o voto de deputados
e senadores na volta do recesso parlamentar.
A correção do mínimo é calculada pela variação do Produto
Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores mais a inflação medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Com o veto, os benefícios do INSS
acima de um salário mínimo continuarão sendo reajustados somente pela variação
do INPC.
A proposta fazia parte da Medida Provisória 672, que
prorroga até 2019 o atual cálculo de reajuste do salário mínimo, aprovada pelo
Senado em junho. Dilma sancionou o texto parcialmente, com veto apenas à
extensão do cálculo a todos os benefícios do INSS. O veto foi publicado hoje
(30) no Diário Oficial da União. O texto voltará ao Congresso Nacional, que
pode derrubar a decisão da presidenta.
“Somos diferentes, mas nesta estamos juntos”. A frase do
secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, dá o
tom da unidade dos sindicatos quando o assunto é o bolso dos aposentados e
pensionistas. A CUT defende que seja adotado, em caráter excepcional, o mesmo
índice de reajuste para todos os segurados do INSS este ano. “O veto não é bom
porque a inflação pesa mais para os aposentados. O governo deveria manter o
mesmo índice e construir no Fórum de Previdência uma política para a correção
dos benefícios, sem comprometer a saúde financeira da Previdência”, arremata
Nobre.
A Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionitas
(Cobap) tem o argumento forte para defender o índice de reajuste igual para
todos. Warlei Martins, presidente da entidade, aponta perdas financeiras de 84%
no bolso dos aposentados que ganham acima do salário mínimo entre 1991 e 2015.
Com a perda de renda, a cada ano que passa aumenta o número de segurados que
recebem o piso. Segundo a Cobap, 654 mil segurados passaram para o time dos que
ganham o mínimo este ano. “A nossa luta é de 20 anos. Vamos mobilizar os aposentados
para derrubar o veto”.
A mesma disposição tem o presidente do Sindicato Nacional
dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical, Carlos Ortis. “O sentimento
dos aposentados é de indignidade e de insatisfação. Vamos pressionar o
Congresso para manter o aumento”. A Força Sindical apresentou duas propostas de
reajuste dos aposentados e pensionistas. Uma delas prevê o reajuste equivalente
a 80% do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores mais o INPC. Outra
fórmula prevê o INPC mais a média do reajuste salarial dos demais trabalhadores
da ativa negociados pelo Dieese.
O argumento de Dilma para vetar o reajuste dos aposentados e
pensionistas que ganham acima do salário mínimo é o ajuste fiscal. Pelas contas
do governo, o impacto do reajuste igual para todos os segurados do INSS é de R$
2 bilhões/ano nas contas da Previdência Social.
Na justificativa do veto, Dilma argumentou que a vinculação
de todos os benefícios do INSS ao salário mínimo é inconstitucional. “Ao
realizar vinculação entre os reajustes da política de valorização do salário
mínimo e dos benefícios pagos pelo Regime Geral de Previdência Social - RGPS,
as medidas violariam o disposto no Artigo 7º, inciso IV, da Constituição.”
Além disso, segundo Dilma, o veto não fere a garantia
constitucional de que os benefícios não sejam inferiores a um salário mínimo.
De acordo com o Ministério da Previdência, a extensão das
regras do mínimo para todos os aposentados e pensionistas teria impacto de R$ 9
bilhões nas contas da Previdência em 2015.
Com informações da CUT.

Nenhum comentário: