SERVIDORES CONTINUAM SEM CALENDÁRIO DE PAGAMENTO
Na tarde desta segunda-feira
(7) os sindicatos que representam os servidores públicos estaduais participaram
de uma audiência na Casa Civil. SINSP, Sinpol, Sindifern, Sindasp, Adepol,
Sinai, Sinte e Associação dos policiais militares, compareceram à audiência com
Tatiana Cunha, chefe da Casa Civil. Esta audiência foi uma reivindicação
dos sindicatos, para cobrar do Governo do Estado o calendário de pagamento da
folha do mês de outubro.
Já no início da reunião, os servidores
tomaram conhecimento que o Secretário de Estado de Planejamento e Finanças,
Gustavo Nogueira está em viagem ao Chile e por esta razão, o calendário final
de pagamento da folha do mês de outubro não definido. Tatiana Cunha informou
que o Governo ainda não tem um calendário definido servidores que recebem acima
de R$ 3.001,00. No mês passado a folha foi concluída no dia 31 de outubro.
Os sindicatos cobraram
insistentemente o calendário de pagamento pois é absurdo chegar ao dia oitavo
dia do mês, sem uma definição de como será feito o pagamento dos trabalhadores
que atendem a população do Rio Grande do Norte em todos os seguimentos. Esta é
uma situação de calamidade pública, não há crise maior do que não ter direito a
receber o salário ao final do mês. São dez meses de salários atrasados e a cada
mês, a situação se agrava.
Esta situação tem gerado uma grande
instabilidade emocional, milhares de servidores públicos não sabem, se quer,
quando irão receber seus salários. A Presidente do SINSP RN, Janeayre Souto,
falou dos inúmeros relatos que recebe diariamente da categoria que não tem, nem
mesmo, o dinheiro para pagar o transporte para ir ao trabalho. Hoje o
trabalhador precisa ter todos os dias, pelo menos R$ 5,80. Muitos moram longe e
utilizam dois ônibus para chegar ao trabalho, o que dá um total de R$ 11,60 por
dia e R$ 58,00 por semana. Sem contar aqueles que utilizam transporte
interestadual onde as tarifas são maiores e diversas, pois moram em um
município e trabalham em outro. Esses trabalhadores não estão recebendo o
mínimo, que é o salário suado após um mês de trabalho. Servidores que enfrentam
tratamentos de câncer, precisam pagar plano de saúde, pagar medicamentos e não podem
dar continuidade ao seu tratamento. Ainda
tem o fator emocional que é fundamental para o sucesso no tratamento desta
doença.
Este descaso do Governo do
Estado com seu povo está transformando o Estado do Rio Grande do Norte em um
verdadeiro caos social. Milhares de trabalhadores estão em pânico, caindo em
depressão, fazendo uso de tranquilizantes, pois dependem unicamente do salário
para sobreviver e sustentar suas famílias. Muitas famílias sobrevivem da renda
de um único membro, que não sabe mais o que fazer pois não tem comida em casa,
as contas estão vencendo, a prestação da casa não estão sendo paga, correndo o
risco de receber uma ordem de despejo ou perder o imóvel para o banco.
O atraso no pagamento dos
salários reflete diretamente na economia do Estado, agravando mais ainda a
situação de crise econômica. Sem dinheiro, os trabalhadores não consomem, não
fazem prestações, não pagam aluguel, atrasam as contas de água, luz, não pagam nem
a bodega que os atende fiado. A Federação do Comércio prevê um dos piores anos
de vendas para o comércio neste final de ano. Os sindicatos compreendem que o
país vive uma crise. Por isso é preciso unir forças para encontrar soluções que
possibilitem mudar esta trajetória de declínio e retornar o crescimento
econômico do Estado. Neste ritmo, o cenário que vemos à frente é desastroso.
A notícia dos valores vindos da
repatriação gerou uma expectativa positiva para a folha deste mês. Entretanto
até agora o Governo não apresentou ao menos, o calendário de pagamento. Estima-se
que por volta do dia 20 de novembro, o dinheiro da repatriação chegue aos
cofres do Executivo, os sindicatos estarão vigilantes para que este dinheiro
seja revertido para o pagamento da folha do mês e do décimo terceiro salário
dos servidores públicos.
Os servidores estão atuando em
todas as frentes, buscando auxílio e apoio em todas as esferas de poder, com o
objetivo único de salvar o Rio Grande do Norte do atual caos financeiro. Foram
propostas ações efetivas para injetar recursos no poder executivo, pagar as
três folhas e movimentar a economia do Estado. Janeayre Souto, Presidente do
SINSP, falou que é preciso ir além das receitas, tão importante quanto, é conhecer
as despesas do Estado, ela afirma que o Governo Robinson, mesmo diante da crise
aumentou o número de cargos comissionados, bolsistas e terceirizados em muitas
secretarias. O Governo vem atuando de forma feroz no que chamamos de
terceirização branca. "Nós esperamos que o Governo apresente o resultado
da auditoria da folha. Desde novembro o Sinsp solicitou este documento e ainda
não obteve retorno", ressalta Janeayre. O SINSP representa uma categoria
que há seis não tem reajuste salarial, nem a revisão geral dos salários (reposição
da inflação), para alguns cargos o último concurso público foi na década de 90.
Após
muita insistência do SINSP e demais sindicatos participantes da reunião, uma
nova audiência ficou agendada para a próxima quinta feira (10), para que o
Governo apresente o calendário de pagamento do mês de outubro. É inadmissível chegar
ao décimo dia de atraso e não ter um planejamento sobre o pagamento dos
salários dos servidores públicos. Por
isso, a direção dos SINSP convoca a todos os servidores da administração direta
do Estado a cruzarem os braços no dia 11 de novembro, próxima sexta feira e
participarem da grande GREVE GERAL da classe trabalhadora brasileira. A
concentração acontecerá a partir das 8h da manhã, em frente ao Hospital
Walfredo Gurgel.
Os trabalhadores de todo o
Brasil vão às ruas para dizer: Não. Não a toda e qualquer proposta de retirada
de direitos. Receber o salário em dia é um direito resguardado na Constituição
Federal e Estadual. O Governo do RN vem há dez meses descumprindo a lei. A
história já mostrou por diversas vezes que os trabalhadores só alcançaram conquistas
com muita luta e suor. Desta vez não será diferente, é preciso lutar agora para
garantir os direitos conquistados em lutas passadas. Nenhum direito a menos!




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